Reclamações contra atrasos em obras crescem 30% em BH

Franciele Xavier - Hoje em Dia


As reclamações contra construtoras a respeito de atrasos de obras em Belo Horizonte cresceram quase 30% de janeiro a setembro deste ano na comparação com o mesmo período de 2012. O número é da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais (AMMMG), que registrou, em 2013, até setembro, 520 queixas, contra 370 nos nove primeiros meses do ano anterior.


De acordo com o diretor-presidente da AMMMG, Sílvio Saldanha, a média de atraso na entrega dos apartamentos é de 18 a 24 meses, e o crescente número de reclamações seria reflexo do boom imobiliário de 2010. “Está na hora de entregar, mas as construtoras venderam mais do a capacidade de construir” , diz.


Conforme levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), de janeiro a agosto de 2010, foram lançadas 3.985 unidades residenciais em Belo Horizonte, contra 1.940 no mesmo período deste ano.


De acordo com Saldanha, as construtoras usam como justificativa a falta de material de construção no mercado, dificuldades para encontrar mão de obra qualificada e burocracia para liberação de alvará de construção. “Dos argumentos que as empresas apresentam, poucos são plausíveis”, diz. Segundo ele, as mais reclamadas são Habitare, MRV e Tenda.



Surpresa


O servidor público Renato Vasconcelos estava convencido de que seria melhor comprar um apartamento na planta e, depois de quitar todas as parcelas relativas a entrada, taxas administrativas e seguro, recebeu a notícia de que a entrega iria atrasar.


Hoje, ele mora separado da esposa e da filha de 11 meses, porque cada um está na casa dos pais devido à inviabilidade de pagar prestações do imóvel comprado e mais aluguel. “O compromisso inicial da construtora

Habitare era entregar o prédio em fevereiro de 2015. Depois, adiou para junho do mesmo ano, e agora a previsão é março de 2016. Só que no lote onde o prédio será construído, no bairro Palmeiras, só existe mato.


E antes do meu existem 40 prédios para a construtora entregar”, diz Vasconcelos, que já entrou com uma ação na Justiça contra a empresa.


Moradores de um prédio no bairro Camargos, em Belo Horizonte, também acionaram a Justiça por meio de uma ação coletiva para reaver os gastos com o financiamento dos apartamentos, que demoraram dois anos e meio para serem entregues pela MRV.


Um deles, a analista financeira Alessandra Fortunato, conta que era para ter recebido o imóvel em 2010, e só em 2013 pegou as chaves. “Estamos processando a construtora para reaver 2% do valor do imóvel, corrigido mês a mês, a contar dos três primeiros meses de atraso”, diz.


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