AMMMG - ASSOCIAÇÃO DOS MUTUÁRIOS E MORADORES DE MINAS GERAIS 

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Classe média fica mais longe do sonho de ter casa própria

24/07/2017

A economia desaquecida – que vem reduzindo a renda do brasileiro – e a suspensão da linha pró-cotista, da Caixa – modalidade mais barata de financiamento imobiliário, que só perde para o Minha Casa, Minha Vida, estão dificultando o sonho da casa própria para a classe média. Diante dos juros altos e do receio do que pode acontecer no mercado de trabalho durante os anos de financiamento, a analista de marketing Mariana Cristina Lopes fez as contas com seu noivo e optou por alugar um imóvel.

“Fizemos as contas. O apartamento que gostamos teria uma prestação de R$ 3.000. Vamos alugar um por R$ 1.200”, afirma. Porém, ela não descarta comprar um imóvel, o que deverá acontecer num prazo de dez anos. “Enquanto isso, vamos fazer uma aplicação para, futuramente, pagar à vista ou dar uma boa entrada. E financiar um valor menor e em menos tempo. Não queria começar uma nova vida com uma dívida”, explica.

 

 

 

Já Renata de Sousa queria mesmo comprar um apartamento, só que as exigências e o desemprego adiaram o sonho. “Conheço várias pessoas que conseguiram financiar um imóvel há alguns anos. Agora, está mais difícil, as exigências aumentaram”, reclama. Após dois anos pesquisando um apartamento de dois quartos, que compraria com a irmã, Renata resolveu parar e só voltar em 2018. Até lá, continuará morando com a mãe.

E é justamente no próximo ano que a linha pró-cotista deve ser reaberta. Nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, a modalidade financia imóveis de até R$ 950 mil, e em outros até R$ 800 mil. No primeiro semestre de 2017 todos os recursos disponíveis da linha (R$ 6,1 bilhões) foram liberados pela Caixa. Em 2016, o valor chegou a R$ 5,5 bilhões. O banco interrompeu os desembolsos em maio deste ano. E os financiamentos só voltaram depois que o Ministério das Cidades remanejou R$ 2,5 bilhões da faixa destinada às famílias de renda mais alta no Minha Casa, Minha Vida. Só que o dinheiro foi insuficiente e a Caixa voltou a suspender a linha no último mês.

Com a linha suspensa, a alternativa, segundo o presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais (AMMMG), Silvio Saldanha, é recorrer ao Sistema Financeiro da Habitação (SBPE). As exigências para aderir ao programa são as mesmas, só que a taxa de juros é bem mais alta. Na pró-cotista, varia entre 7,85% e 8,85% ao ano, enquanto que no SBPE, ela parte de 10,25% ao ano e pode atingir 12,25% anuais.

O diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Bruno Xavier Barcelos Costa, observa que a Caixa financia 80% do imóvel. Para ele, com a interrupção da linha pró-cotista, muitas famílias podem não ter recursos para optar pela SBPE. “Afinal, a renda terá que ser maior. Isso reduz o público e dificulta as vendas do setor, pois as parcelas ficaram mais altas”, diz.

Ele explica que para conseguir um empréstimo de R$ 200 mil é preciso uma renda de R$ 6.500 pelo pró-cotista. Já pelo SBPE, o valor passa para R$ 7.500. Considerando-se juros de 8,61% ao ano do pró-cotista, o valor da parcela mensal chega a R$ 1.911. No outro caso, com juros de 10,49%, o valor passa para R$ 2.224. A diferença é de R$ 313, que em 35 anos aumenta em R$ 131.460 o valor do empréstimo. Costa também ressalta que existe a limitação de que a parcela do empréstimo ultrapasse 30% da renda.

 

Aplicações 

 

Compra X aluguel: Adquirir um imóvel pode não ser a melhor opção, segundo o presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais (AMMMG), Silvio Saldanha. O motivo é o baixo preço do aluguel, fruto da alta oferta de imóveis. “É melhor aplicar o dinheiro”.

Rendimento: Ele ressalta que o aluguel varia de 0,2% a 0,3% do valor do imóvel, menos que o rendimento da poupança, por exemplo, um dos mais modestos do mercado.

 

Taxas adotadas

 

Confira as taxas de juros praticadas no mercado por algumas instituições financeiras:

Programa Minha Casa, Minha Vida – Para faixa de 1,5 salário mínimo, a taxa é de 5% ao ano + TR. É a mais barata do país.

Bradesco – Cobra 10,70% ao ano, percentual que pode ser alterado de acordo com o relacionamento do cliente com o banco.

Santander – Linha de crédito pelo SFH terão taxas de 9,49% ao ano. E para carteira hipotecária (CH), de 9,99% ao ano para clientes pessoas físicas. Os novos juros vigorarão por dois meses, com possibilidade de prorrogação de prazo.

Banco do Brasil – Para SFH, a partir de 9,99% + TR.

Itaú – No SFH, a partir de 10,2%. No SFI, a partir de 11%. Em ambos os casos, conforme o relacionamento e o histórico do cliente.

Caixa – No SFH, a partir de 10,25% + TR. No SFI, a partir de 11,25% + TR.

 

Relacionamento com banco faz a diferença

 

Dependendo do relacionamento do cliente com o banco, é possível conseguir juros menores no financiamento imobiliário, diz o presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais (AMMMG), Silvio Saldanha. Como exemplo, ele cita o uso do cheque especial, do débito em conta e do cartão de crédito, entre outros serviços. “Com isso, e possível obter uma taxa equivalente à do pró-cotista, hoje suspensa”, observa.

Para o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, no futuro, o mercado deve migrar para novas formas de financiamento, como a Letras Imobiliárias Garantidas (LIG), em fase de regulamentação pelo Banco Central. “Acreditamos no aumento dos recursos destinado ao crédito imobiliário, na medida em que o cenário político e econômico também melhore. A queda na taxa de juros futuros é muito importante nesse processo”, afirma.

O diretor da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI), Frederico Papatella Padovani, concorda que a suspensão da pró-cotista interfere no setor. “Só que o mercado está habituado a absorver as surpresas”, diz. Para ele, juros mais altos podem ser compensados com descontos hoje oferecidos. Segundo ele, 2017 é uma boa oportunidade para quem deseja adquirir a casa própria.

 

Reportagem de Juliana Gontijo - O Tempo

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